A ciência tem desenvolvido pesquisas em diversas áreas do conhecimento, cujos resultados apontam para algumas práticas que podem ser incentivadas para uma melhor cognição. Especialmente na infância, quando o sistema nervoso está em desenvolvimento, essas ações podem trazer benefícios a curto e longo prazo, melhorando as funções executivas, a atenção, a memória e o aprendizado.

1. Deixe as crianças brincarem…

A experiência de brincar livremente é importante para o desenvolvimento cognitivo, físico e emocional. Ao brincar, as crianças experimentam mudanças nas conexões entre neurônios no córtex pré-frontal, que é crítico para regular emoções, fazer planos, negociar conflitos e resolver problemas. Brincar com outras crianças pode ser encarado como uma preparação para a vida social, que é fundamental para o aprendizado e o desempenho escolar. Nas brincadeiras as crianças desenvolvem novas competências, aumentam sua autoconfiança e adquirem resiliência para os desafios futuros.

2. … e também do lado de fora

Se mexer é também muito importante. O exercício físico aumenta a neurogênese (formação de novos neurônios) numa região cerebral chamada hipocampo, beneficiando a cognição. Evidências indicam uma correlação positiva entre atividade física e níveis de aprendizagem e inteligência entre crianças em idade escolar. Uma única sessão de exercício moderado (caminhada, por exemplo) em crianças com 9 e 10 anos de idade pode melhorar o raciocínio em testes de desempenho acadêmico. Para praticar atividade física, basta realizar qualquer tipo de movimento, que inclui desde um treinamento estruturado até atividades livres como jogar, correr, saltar. A recomendação da Organização Mundial da Saúde (OMS) é que crianças e adolescentes tenham pelo menos 60 minutos de atividades físicas por dia (ou 2 sessões de 30 min/dia).

3. Dê atenção ao sono

Muitos estudos indicam que o sono desempenha um papel crucial na desintoxicação metabólica do corpo e na reposição de neurotransmissores cerebrais. O sono favorece o aprendizado tanto antes quanto depois da aquisição de novas memórias. Experimentos de laboratório mostram que uma pessoa que não dormiu bem à noite estará pouco apta ao aprendizado, a menos que possa dormir antes do treinamento. Por outro lado, uma pessoa que acaba de aprender coisas novas, se beneficia de uma soneca pós-aula, capaz de promover a seleção, a consolidação e a reestruturação de memórias. O sono atua, portanto, na preparação e na consolidação do aprendizado. Crianças de 3 a 5 anos devem dormir entre 10 e 13 horas; de 6 a 13 anos, de 9h a 11h; e de 14 a 17, 8 a 10 horas por dia.

4. Ofereça uma alimentação balanceada

Há um número crescente de evidências de que a qualidade e a quantidade de alimentos ingeridos nos primeiros anos de vida afetam o desempenho cognitivo durante a vida escolar. A restrição nutricional de aminoácidos essenciais– aqueles que só podem ser adquiridos pela alimentação – atrasa a formação de conexões. De forma semelhante, a restrição nutricional de ácidos graxos ômega-3 altera os parâmetros de desenvolvimento de conexões e o curso temporal de períodos críticos de plasticidade. Uma dieta equilibrada, rica em nutrientes, é fundamental para o desenvolvimento cognitivo adequado.

5. Incentive o contato com a música

Diversos estudos apontam para vantagens de aprender música e tocar instrumentos na infância. Pesquisas mostram que as conexões neurais feitas durante o aprendizado de música são benéficos para o aprendizado. Realizar esse tipo de atividade ajuda ainda a melhorar a sensibilidade das crianças, a capacidade de concentração e a memória, trazendo benefícios ao processo de alfabetização e ao raciocínio matemático. Alguns estudos apontam que crianças que recebem treino musical mostram atividade neural mais forte na detecção de mudanças na entonação e na fala e possuem melhor vocabulário e fluência leitora que as demais.

6. Deixe as crianças jogarem videogames (com moderação!)

Pesquisas têm mostrado que jogar videogames traz benefícios para a cognição de crianças e jovens. E os jogos não precisam ser educacionais. Um estudo da Universidade de Rochester mostrou, por exemplo, que jogadores de games de ação desenvolveram melhor acuidade visual e maior capacidade de tomar decisões com rapidez por conta dos jogos. Os usuários de jogos de ação têm melhor controle atencional do que os que usam jogos sem ação. E os não-usuários, depois de serem treinados, também se desempenham melhor. Além disso, os efeitos positivos desses videojogos subsistem durante pelo menos 12 meses. Por outro lado, os videogames violentos podem trazer impacto negativo para as crianças. Estudos mostram que o uso habitual e prolongado de jogos de ação violentos aumenta a agressividade e faz com que elas deixem de identificar situações violentas como tais.

 

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Sobre o Autor

Sofia Moutinho

Jornalista carioca guiada pela curiosidade e fascinada pela ciência. Especializada na cobertura de ciência, saúde, tecnologia e meio ambiente, atuou como repórter da Ciência Hoje durante maior parte de sua carreira. Na Rede CpE, toca a assessoria de imprensa e a produção de conteúdo.

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