O Núcleo de Apoio à Pesquisa em Educação, Divulgação e Epistemologia da Evolução “Charles Darwin” (NAP EDEVO-Darwin), que reúne pesquisadores de evolução biológica da USP, publicou uma nota em reação a recente entrevista à Folha do novo diretor da coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), Benedito Guimarães Aguiar Neto, que defendeu o criacionismo.

“O chamado ‘criacionismo científico’ não é reconhecido pela comunidade científica de nenhum país”, diz a nota. “Literalmente todas as evidências disponíveis, corroboram a explicação da diversidade e estrutura da vida na Terra por meio de processos de descendência com modificação e que todos os seres
vivos são conectados por relações de ancestralidade comum. Novas áreas da ciência, como a Genômica, continuamente fortalecem este paradigma. Não existem dúvidas plausíveis de que o processo evolutivo seja a melhor explicação para os fenômenos da vida, uma conclusão aceita há mais de um século e atualmente endossada inclusive por muitas instituições religiosas, como o Vaticano.”

O novo diretor da agencia é defensor da teoria do design inteligente, que advoga uma origem teólogica do universo. Em uma palestra realizada em outubro do ano passado, quando ainda estava à frente da universidade Mackenzie, ele defendeu a ampliação dos estudos sobre a área.

De acordo com o grupo da USP, “é amplamente reconhecido que o chamado ‘design inteligente’ é simples eufemismo do dito ‘criacionismo científico’, sendo que o mesmo exato termo (‘intelligent design’) já era usado com o mesmo sentido no século dezoito por teólogos protestantes, como Joseph Butler (1692-1752 )”.

Nosso pesquisador Nelio Bizzo, que estuda a teoria da evolução e o seu ensino, também reagiu à posição do novo presidente da Capes. “Ressalto a importância de diferentes instituições emitirem notas a respeito da introdução do criacionismo  nas disciplinas científicas, ou declararem apoio a esta manifestação”, disse. “A nomeação do novo presidente da CAPES configura uma afronta à universidade pública e de qualidade de nosso país e a comunidade acadêmica não pode deixar de se manifestar de modo veemente.”

 

Sobre o Autor

Sofia Moutinho

Jornalista carioca guiada pela curiosidade e fascinada pela ciência. Especializada na cobertura de ciência, saúde, tecnologia e meio ambiente, atuou como repórter da Ciência Hoje durante maior parte de sua carreira. Na Rede CpE, toca a assessoria de imprensa e a produção de conteúdo.

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