Integrante da coordenação geral da Rede CpE, pesquisadora da USP é o destaque de novembro por seu trabalho sobre aprendizagem, estresse e ambiente
Mirela Ramacciotti, integrante da coordenação geral da Rede Nacional de Ciência para Educação (Rede CpE) e pesquisadora do Programa de Psicologia Experimental do Instituto de Psicologia da Universidade de São Paulo (USP), foi escolhida cientista do mês de novembro de 2026 pela GSoLEN, rede internacional dedicada à ciência da aprendizagem. O reconhecimento destaca sua trajetória e seu trabalho para aproximar a pesquisa científica das necessidades de quem ensina e aprende.
“A Rede Global de Educação para a Ciência da Aprendizagem (GSOLEN em português) é uma colaboração mundial de cientistas, pesquisadores, educadores, financiadores e formuladores de políticas que busca melhorar as oportunidades de aprendizagem para todos. Fazer parte da GSOLEN é um motivo de orgulho e alegria pois essa rede se irmana com os objetivos da Rede CpE, da qual faço parte na coordenação geral, atuando especialmente junto aos Amigos da Rede CpE”, afirma Mirela.
“Receber a nomeação de cientista do mês de novembro foi uma grata surpresa que acolhi com muita felicidade e bastante humildade. Trabalhar pela implementação da ciência da aprendizagem a fim de alcançar uma educação eficaz e equitativa – objetivos maiores da GSOLEN – é tarefa incessante e árdua. Estendo meu agradecimento às várias pessoas que possibilitaram esse reconhecimento e permaneço confiante que temos muito ainda a alcançar!”, completa.
Da sala de aula à pesquisa
A trajetória de Mirela na neurociência começou com perguntas nascidas da prática educacional. Formada inicialmente em Direito, trabalhou por três décadas como professora de inglês, diretora escolar e autora de materiais didáticos, antes de aprofundar sua formação em neurociência, psicologia e fonoaudiologia.
Essa experiência orienta suas investigações sobre como o estresse, as experiências com a linguagem e o ambiente influenciam a aprendizagem. Entre seus temas de pesquisa estão o desenvolvimento infantil, as funções executivas — habilidades envolvidas na atenção, na memória de trabalho e no autocontrole — e a formação de professores para apoiar o desenvolvimento da linguagem.
Seu projeto atual, que dá continuidade à pesquisa de pós-doutorado na USP, investiga se o estresse altera os mecanismos cerebrais de previsão envolvidos na aprendizagem de adultos e se ambientes urbanos e naturais produzem diferenças nesse processo. Para isso, combina tarefas comportamentais com eletroencefalografia (EEG) e espectroscopia funcional no infravermelho próximo (fNIRS), técnicas que permitem acompanhar diferentes aspectos da atividade cerebral.
A investigação parte da ideia de que o cérebro identifica regularidades e constrói expectativas sobre o que acontecerá a seguir. As diferenças entre essas previsões e as experiências vividas ajudam a atualizar o que aprendemos sobre o mundo.
Além da pesquisa, Mirela atua na formação de pesquisadores e educadores e na divulgação de conhecimentos sobre o cérebro, buscando combater neuromitos e contribuir para o uso responsável das evidências científicas na educação.