11 de fevereiro – Dia Internacional de Mulheres e Meninas na Ciência

Por Adriana Melibeu*

Feche os olhos bem rápido. Se eu te pedir para imaginar um(a) cientista, quem vem à sua cabeça? Um homem, de jaleco branco, descabelado e com óculos? Se foi isso, você não está sozinho.

Pesquisadores da Universidade Northwestern, nos Estados Unidos, publicaram no periódico Child Development uma meta-análise que examina mais de 20.000 desenhos feitos por estudantes de 5 a 18 anos ao longo de 5 décadas. Os primeiros dados encontrados, da década de 60, foram alarmantes. Menos de 1% dos estudantes desenhavam mulheres cientistas, o que reflete o estereótipo de gênero que associa a ciência a homens. Outro dado importante foi que a idade das crianças influencia sua percepção; crianças de 6 anos desenhavam homens e mulheres quase igualmente. Ao chegar ao ensino médio, os estudantes desenharam 4 homens para cada mulher cientista, o que mostra que sinais do ambiente fortalecem a associação entre a ciência e o masculino à medida que a criança se desenvolve, disseminando a mensagem de que o campo não é para meninas e mulheres.Tal fato pode influenciar as aspirações educacionais, levando-as a abandonar tais áreas ou sequer a considerá-las como possibilidades de carreira.

Entretanto, os dados de 2016 mostram um aumento de cerca de 30% no número de desenhos de mulheres cientistas, indicando progressos atribuídos à maior presença feminina na ciência e aos esforços de vários grupos ao redor do mundo que divulgam e reforçam modelos femininos na ciência. Apesar de animadores, os dados mostram que as percepções de gênero na ciência permanecem desafiadoras, especialmente para os estudantes em idades próximas à escolha da carreira a seguir.

Nas últimas décadas, a mídia também tem desempenhado um papel relevante na mudança desse cenário. Mulheres cientistas passaram a aparecer com mais frequência em jornais, programas de televisão, podcasts, plataformas digitais e iniciativas de divulgação científica, falando sobre suas pesquisas, suas trajetórias e sobre os desafios da carreira. Essa presença mostra mulheres reais, atuantes em múltiplas áreas do conhecimento, e ajuda a construir representações mais plurais, especialmente para crianças e adolescentes.

Um estudo de 2025 solicitou especificamente que as crianças desenhassem uma mulher cientista. Enquanto as meninas desenharam mulheres modernas e reais, os meninos tiveram mais dificuldade e criaram figuras sensacionalistas; alguns sequer conseguiram desenhar uma mulher. Portanto, fica o alerta de que é crucial incluir os meninos nessas conversas para normalizar a presença feminina na ciência para todos.

Neste 11 de fevereiro, vamos celebrar e dar visibilidade às nossas cientistas. Vamos mostrar para os nossos jovens que a ciência é lugar de mulheres, sim! Para que, no futuro, desenhar uma mulher cientista seja a regra, e não a exceção. Feliz Dia Internacional das Mulheres e Meninas na Ciência.

* Professora do Instituto de Biologia e do PPG Neuro da Universidade Federal Fluminense, coordenadora do Projeto Meninas nas Ciências-UFF e integrante da coordenação da Rede CpE