Aprendizagem colaborativa pode ampliar o desenvolvimento de habilidades matemáticas

Estudo apresentado aos membros da Rede CpE comparou o uso de jogos matemáticos em grupo e individualmente

Pesquisadores e Amigos da Rede CpE participaram, no dia 16 de julho, de um encontro on-line sobre processamento numérico. A atividade contou com a participação de Alejandro Maiche, da Universidad de la República, no Uruguai, e integrante da Cátedra UNESCO de Ciência para Educação. A apresentação do estudo foi conduzida por Nadir Díaz-Simón, doutorando no Laboratório de Cognição Numérica da Western University, no Canadá.

O encontro teve como base o artigo Digitally Supervised Play of Math Games Improves Math Learning More When the Games Are Played With Peers Than When Played Individually, publicado em 2025 na revista Cognitive Science.

A pesquisa investigou se jogos matemáticos realizados em pequenos grupos poderiam proporcionar ganhos de aprendizagem maiores do que o uso individual dos mesmos jogos em tablets. Participaram do estudo 112 crianças, com idades entre 5 e 7 anos, matriculadas em três escolas de Montevidéu e Canelones, no Uruguai.

Durante cinco semanas, as crianças participaram de 15 sessões com atividades voltadas ao desenvolvimento de habilidades matemáticas, como comparação de quantidades, reconhecimento de símbolos numéricos, geometria e aritmética. Parte delas realizou as tarefas individualmente em tablets, enquanto as demais jogaram em grupos de quatro, utilizando cartas físicas e um dispositivo digital chamado “Caixa Mágica”.

A Caixa Mágica informava apenas se todas as respostas do grupo estavam corretas ou se havia algum erro, sem indicar qual criança havia errado. Para avançar no jogo, os participantes precisavam conversar, revisar as respostas e chegar conjuntamente a uma nova solução. Segundo os pesquisadores, esse retorno parcial foi pensado para estimular a reflexão, a argumentação e a colaboração entre as crianças.

Os resultados mostraram que os participantes que jogaram em grupo apresentaram avanços maiores em suas habilidades matemáticas do que aqueles que realizaram as mesmas atividades individualmente. Os benefícios da dinâmica colaborativa foram especialmente expressivos entre as crianças que começaram a intervenção com desempenho matemático mais baixo.

Os autores avaliam que a interação entre pares pode ter contribuído para que as crianças compartilhassem estratégias, explicassem seus raciocínios e aprendessem umas com as outras. Como o dispositivo não identificava individualmente quem havia cometido o erro, a atividade também favorecia a responsabilidade coletiva pela resolução dos problemas.

O estudo sugere que tecnologias educacionais não precisam ser utilizadas apenas em experiências individuais. Quando associadas à interação social e ao trabalho colaborativo, elas podem complementar o ensino tradicional e criar oportunidades mais significativas para a aprendizagem da matemática.

Artigo de referência:
DÍAZ-SIMÓN, N. et al. Digitally Supervised Play of Math Games Improves Math Learning More When the Games Are Played With Peers Than When Played Individually. Cognitive Science, v. 49, 2025. https://doi.org/10.1111/cogs.70150