A dislexia é uma perturbação na aprendizagem da leitura pela dificuldade no reconhecimento da correspondência entre os símbolos gráficos e os fonemas. Ainda existem muitas dúvidas sobre o transtorno. Confira alguns mitos comuns e fatos sobre o transtorno, validados pelo nosso pesquisador Augusto Buchweitz (PUC-RS), que mantém o projeto Projeto Acerta, que estuda crianças com quadro de dislexia ou discalculia (dificuldades com cálculos matemáticos).

 

Mito: Pessoas com dislexia não são inteligentes
Verdade:

Não existe relação entre a dislexia e inteligência. A dislexia é um transtorno neurobiológico que afeta especificamente a fluência leitora e não outros aspectos cognitivos. Muitos indivíduos com dislexia são brilhantes, criativos e conseguem superar o obstáculo de uma leitura mais lenta e laboriosa, principalmente nos casos em que a dislexia é identificada precocemente. Exemplos de pessoas bem sucedidas com dislexia são o diretor de cinema Steven Spielberg, o CEO da Virgen Richard Branson, a atriz Whoopi Goldberg , a escritora Agatha Christie, Steve Jobs e o pai de teoria da evolução Charles Darwin, entre outros.

Mito: A dislexia não é um transtorno real
Verdade:

A dislexia é um transtorno amplamente documentado e estudado com bases empíricas e evidências científicas que mostram a manifestação desse fenômeno no cérebro. Temos habilidades inatas, como falar e caminhar, mas a leitura não é uma delas. Para aprender a ler, o cérebro da criança precisa passar por uma série de adaptações; na dislexia, estas adaptações não acontecem como nas crianças que não tem o transtorno.

Mito: A dislexia é rara
Verdade:

A dislexia é um transtorno de significativa incidência nas salas de aula e atinge entre 5% e 17% da população mundial. Esta variabilidade está associada com a transparência da ortografia, ou seja, o quão mais fácil ou mais difícil é de quebrar o código da leitura em uma língua em sua forma escrita. Por exemplo, naquelas ortografias, como a da língua inglesa e francesa, que têm muitos sons associados com um mesmo grafema há mais crianças dentro do espectro da dislexia, justamente pela ortografia apresentar uma dificuldade a mais. As palavras nessas línguas são mais arbitrárias. por exemplo:  YACHT (iate) é pronunciada “iat”. Em ortografias mais transparentes, como o espanhol, as crianças com dislexia mais próximas da “fronteira” do espectro da dislexia com a leitura fluente, têm menos dificuldades, por causa da ortografia mais clara.

Mito: Dislexia tem cura
Verdade:

A dislexia não é uma doença, em primeiro lugar. Portanto, não se discutiria uma cura, mas sim, maneiras de mitigar o transtorno. A dislexia é um transtorno que surge como subproduto de termos inventado a escrita. Ela será um obstáculo por toda a vida. No entanto, é possível fazer progressos e tornar a leitura não tão frustrante. Muitos indivíduos com dislexia aprendem a ler com acurácia, ainda que mais devagar que os demais.

Mito: Pessoas com dislexia enxergam ao contrário
Verdade:

A dislexia não é um problema visual e não afeta a visão. Embora muitos indivíduos com o transtorno escrevam letras ao contrário, o mesmo pode ocorrer entre crianças sem o transtorno que estão aprendendo a escrever.

 

Sobre o Autor

Sofia Moutinho

Jornalista carioca guiada pela curiosidade e fascinada pela ciência. Especializada na cobertura de ciência, saúde, tecnologia e meio ambiente, atuou como repórter da Ciência Hoje durante maior parte de sua carreira. Na Rede CpE, toca a assessoria de imprensa e a produção de conteúdo.

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